segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Monólogo

-Impressionante, Joe.

-O que?

-As coisas, cara.

-Que coisas, man?

-Tudo. Tudinho. Inclusive, é impressionante, para não dizer medonho, a forma como as coisas acontecem. Jovens se vendendo a tão pouco. Drogas, Sexo, Bebidas.

-Mas sexo não é tão pouco assim.

-Pois é. Você tem razão. Drogas e Bebidas são, realmente, o tão pouco pelo qual se vendem.

-Ah, mas bebidas também não é tão pouco assim.

-Merda. Ok, somente as drogas.

-Sim, somente drogas.

-Aliás, cigarros mentolados são considerados drogas?

-Creio que sim.

-Pois então, estamos NOS vendendo por tão pouco.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

De repente fico rindo à toa sem saber porque
E me vem a vontade de sonhar de novo em te encontrar[...]

Foi assim. Noite de sábado, Joe sem nada para fazer, decide, como quem não quer nada, passar a noite fora. Um bar, talvez. Após combinar com os amigos, se arrumar, e se locomover, já no bar supra referido, Joe no ímpeto de aproveitar a noite conversa, dança, dá gargalhadas e inclusive encontra outros amigos.
Eis que, no lounge, cansado de permanecer sentado, e com o som da pista a penetrar-lhe os ouvidos, Joe decide, pois, ir dançar. A casa lotada, pessoas sem despertar interesse algum em Joe, que há muito não quer nada com ninguém, ou seja, é um cara de tudo e todos. Alguns (leia-se: poucos) rostos bonitos, e com pouco mapeamento, um rosto familiar, que desperta interesse.
Um garoto de aproximadamente vinte anos, que dançava maravilhosamente, de modo que parecia que o DJ e que toda a sua parafernalha eram só enfeites, e que toda a vibração saía de seu corpo.
Entra em cena o amigo, que por conhecer aquele ao qual descrevo até o presente momento, é incumbido de ser porta-voz. A noite passa e nem sinal de aproximação. Eis que surge uma amiga de Joe, há muito desaparecida, e que decide fazer algo.
Apresenta Mee a Joe de forma rápida e simples. Ambos passam a conversar. Uma conversa que, para quem não estivesse a par do contexto, acreditaria facilmente que ambos eram amigos de infância num reencontro. Já não há mais segredos sobre suas vidas, tratando-se de coisas básicas, como gostos, vontades, anseios, ocupação.
Ah. Não me esqueço do momento em que Mee, aproximando-se furtivamente de Joe, indagando somente um tímido "Posso?" lhe deu aquele beijo. Foram apenas segundos, que parecendo horas, fizeram a cabeça daquele menino.
Acabara então, o período sem dono. Só falta, então, o conhecimento disto por parte do dono.

domingo, 19 de abril de 2009

Cara a tapas.

Já disse em algum momento de minha vida que não aguento mais sofrer na mão de pessoas? Sim! O fato é o seguinte, quando acho que tudo está resolvido, me aparece outra pessoa. Cátivo, carente, amigo.  E eu não consigo não sucumbir aos desejos do coração. A música nos diz "tristeza não tem fim, felicidade, sim", e nesse momento da minha vida a tristeza vem à tona, acordada, disposta, enquanto a felicidade resolve tirar férias denovo.
Não obstante, penso em pessoas que tem uma ambição, algo que almejam, como por exemplo, passar em uma faculdade concorrida, e o fazem. Ou alguem que fica meses esperando um rim numa fila de doação de órgãos, e um dia o consegue. 
Em virtude disso, decido, darei minha cara a tapas. Afinal, é algo que eu quero, e se outros conseguem ter o que querem, por que comigo haveria de ser diferente?


terça-feira, 14 de abril de 2009

Cócegas nos pés.

Estavas deveras diferente. Sua feição mudara. Seu coportamento mudara. Tudo o que eu queria era resgatar aquela criança pura e despreocupada que te habitava até então. Mas a tolice me fez ser fraco. Me fez me render a certas coisas. Contar certas coisas. Agora me faz sentir falta de certas coisas, que por sinal, eu nunca tive e creio que nunca terei.

Ainda lhe ataco os pés.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Tempos (muito) Modernos.

Foi-se o tempo em que nós, pobres mortais nos deslocávamos até a banca de jornais mais próxima para comprar nosso jornalzinho, ou nossa revista semanal. Atualmente, o único deslocamento que ocorre é o de nossos dedos no teclado, para que assim, acessemos a Folha de São Paulo, o site de alguma revista, ou até mesmo o YouTube, que nos traz informações já mastigadas esperando somente serem digeridas.
A internet, como um todo, auxilia não só no repasse de informações e conhecimentos, como também na massa de comércio que passamos hoje em dia.
As informações lançadas na rede possibilitam que o Zezinho consiga um emprego novo, antes mesmo de seus supervisores decidirem que vão mandá-lo embora, ou seja, agiliza o processo de fofocas, a Rádio Peão passou a ser denominada Rede Peão.
Mesmo com a crise econômica dos nossos tempos, pode-se notar um aumento gigantesco na venda, aluguel, e troca de artefatos pelo computador. "MP4 - Novo - $240,00 (10x 24,00)"; "Xana - Usada constantemente - Leilão (Lance inicial: $25,00)"; "Alma virgem..."; ... entre outros, são amostras das inovações
Só falta agora inovarem no sexo virtual com bucetas e pintos USB.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Broxar

Estava eu, pensando cá com meus botões (aliás, interessante o fato de ser tão unido com meus bens materiais a ponto de dividir com eles meu pensamento), qual o sentido de certas coisas, afinal, as coisas mais sem sentido acontecem com pessoas como eu. Imagine você que passo por uma situação totalmente embaraçosa. Sim, meus amigos, ele broxou. Broxar, de certa forma, é natural, mas não é o esperado por nenhum de nós, nem mesmo para aqueles que SABEM que irão broxar, cuja resposta já mais que ensaiada sempre se limita ao "Pãtz, foi mal. Eu devia estar tenso". Tensa vai ficar minha mão na tua cara, se isso não subir.
Ah, só por Deus, é quase uma da manhã e eu to falando de impotência. Aliás, com uma coisa que não levanta, o jeito é ir dormir mesmo.
Boa noite.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Dar não é fazer Amor...

Luiz Fernando Verissimo.

"Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar.
Experimente ser amado... "

Sem mais,

João Henrique Bonato Araújo.